sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Olhos Voltados para a Aurora

Segue um bonito texto de autoria de meu amigo Matheus Favaro.

Noite, porque insiste em impor sobre mim os teus planos?
Vive dizendo que estou perdendo tempo. Eu sei que o tempo passa rápido, mas o que seria perda de tempo?
O sistema me impôs algo difícil de engolir, terei de ter uma casa com cerquinha e carro do ano para poder sorrir.
Só queria ser alguém, não mais um. Alguém que quando vai embora, deixa algo na história, ou que carrega na memória momentos de esperança de um mundo melhor, sem o golpear do dólar nas costas.
Tudo seria mais simples se a noite visse o quão infelizes são aquelas pessoas que se perdem na escuridão dos carros e das mansões.
Futuro bom é aquele com lembranças de um passado de mudanças, carregado de esperança, almejando e aguardando a aurora, que trará consigo o desenrolar de uma história.
Que mundo deixarei para os meus filhos? Ou melhor, que filhos deixarei para o meu mundo?
Afinal, acho que o existencialismo estava certo:
- Se eu nasci, é porque já perdi a opção de não ter nascido.
-Se nasci e vivi em um meio, é porque não tive a opção de escolher onde viveria.
-Vivendo nesse meio, descubro que minha vida, sozinha, não consegue mudar coisa alguma.
-A única escolha que teria seria a decisão de viver ou morrer, mas essa, de longe, nunca seria a melhor escolha, pois não mudaria nada.
Fecho os olhos ao final de um dia, com meu pensamento voltado ao amanhecer, não um amanhecer para mim, mas para aquele pai desempregado, para aquela criança deixada na rua, para aqueles que não têm o que comer.
Será que amanhecerá um novo dia para eles?
Noite, porque insiste em impor sobre nós os teus planos?