domingo, 27 de julho de 2014

Estado Laico?

Hoje muito se defende o Estado Laico. Está na moda. Universitários, pseudo-pensadores, ateus, minorias, enfim, muita gente defende. Mas muitos nem sabem o que é ou deveria ser. Bom, vamos pra boa Wikipedia:
Um Estado secular ou estado laico é um conceito do secularismo onde o poder do Estado é oficialmente neutro em relação às questões religiosas, não apoiando nem se opondo a nenhuma religião.
Bom, então parece ser algo bom, não? Ele em tese não favoreceria nenhuma religião, mas também não se oporia a elas. Mas será mesmo que funciona assim, ou ainda, muitos que o defendem querem que funcione assim? Normalmente não. Eles querem um Estado onde qualquer forma de religião não dite as regras sob as quais eles querem viver, e mais ainda, querem que qualquer religião seja abominada, extinguida, ou que pelo menos fique restrita dentro de um templo religioso.


O fato é que, quando falamos de religião, infelizmente temos uma visão manchada do que de fato era pra ser. Seja pela idade das trevas da Igreja Católica, seja pelos extremistas terroristas Muçulmanos, seja pelos pastores que roubam os fiéis Evangélicos... Sim, tem muita coisa que está zuada, mas não é tudo assim. Religião significa o religamento com Deus. Vou falar do que conheço, que é a religião evangélica, na qual acredito.
Acredito que nós seres humanos somos maus por natureza pois nascemos já em pecado. Podemos observar isso pois desde crianças, por mais puros que sejamos, queremos ficar bem, se necessário for mentindo ou jogando a culpa em alguém. Nós não conseguimos ser bons por nós mesmos, mesmo que nos esforcemos demais. No máximo podemos ser pessoas honestas e de bem, mas isso não é o suficiente. E foi por isso que Jesus morreu por nós, para que possamos ser justificados, ter a vida eterna quando morrermos nessa terra. E de praxe, ainda o Espírito Santo vem viver em nós, nos guiando e conduzindo segundo a vontade de Deus. Digamos que é como nossa consciência, só que muito mais real e mais forte. Quando Ele fala conosco, entendemos claramente e nos sentimos incumbidos em obedecer.
Ok, ok. Já entendemos que religião não necessariamente é algo ruim quando há boa intenção, entendemos um pouco sobre o que os evangélicos sérios no fundo buscam, e sabemos o que propõe o Estado Laico e o que muitos querem que o Estado Laico seja. Mas e daí? Onde o autor desta postagem quer chegar?
Eu quero simplesmente fazer uma reflexão de onde estamos chegando e um alerta do perigo disso. Pra isso quero trazer alguns exemplos.
Há alguns anos, um casal de missionários evangélico denunciou alguns atos de infanticídio (assassinato de crianças) em tribos indígenas. É uma questão cultural na qual há tribos que acham que crianças com deficiências não são gente e as enterram vivas. Esse casal se compadeceu inclusive com uma criança que foi enterrada viva, a tirou de lá, adotou e hoje cuida dela. É uma situação muito delicada, e órgãos como a FUNAI, e muita gente inclusive da mídia e mídias sociais foi contra a atitude, crucificando o casal. Não quero discutir se a atitude foi certa ou errada, mas quero colocar outro fato como comparação. Mas além disso, o ministério público não fez nada com relação aos assassinatos infantis.
Há poucas semanas, nosso governo vem com a polêmica da lei da palmada. Basicamente, querem deixar como crime o ato de se corrigir as crianças por meio de uma palmada, mesmo em caso de mentira e desobediência. A lei não fala sobre espancamento, mas sobre simplesmente palmada. O estado está entrando em questões que não competem a ele. Posso dizer que já levei muitas palmadas quando era pequeno. A maioria mereci. Mesmo as que julgo que não mereci, nunca me traumatizaram ou me fizeram amas menos meus pais, que me educaram com muito amor. Se me deram palmadas, hoje sei que com aquelas palmadas, aqueles limites, hoje sei meu lugar e não tomo murros da vida. Eu julgo que corrigir a criança com a vara (como escrito no livro de Provérbios) é sábio e me fez bem. cabe ao leitor julgar se é bom ou não, mas não é meu foco aqui. Simplesmente quero deixar a reflexão: Se não compete ao Estado e ao ministério público intervir em questão de assassinatos infantis nas tribos indígenas (e ainda poderia citar a legalização de assassinatos infantis no ventre por meio de abortos), por que compete ao Estado intervir na educação das crianças por famílias, cristãs ou não, que aplicam a palmada (veja bem, palmada, e não espancamento) como forma de correção? Por que a diferença?
Mais um exemplo: no começo de minha conversão ao cristianismo, na igreja evangélica, era permitido o evangelismo nas escolas de ensino fundamental e ensino médio. Podíamos levar materiais evangelísticos e distribuir livros infantis ensinando a Palavra de Deus. Com toda essa difusão do Estado Laico, está cada vez mais difícil, e em muitas escolas já está proibida esta atitude. A igreja não pode mais disseminar suas crenças para as crianças. Isso só traz benefícios. Nunca conheci uma criança que foi evangelizada, conheceu a Cristo, decidiu viver pra ele e ficou pior. Todas que conheci mudaram pra melhor. Mas hoje está cada vez mais difícil isso e acredito que logo será ilegal.
Em contrapartida, nosso governos não para de colocar materiais de educação de qualidade completamente duvidosa, pra não dizer destruidora nas nossas escolas. Não podemos mais distribuir livros que falam de Deus, mas estão distribuindo livros que fazem apologia ao diabo com "um bom parceiro". Não podemos mais evangelizar dizendo que Deus tem um plano na vida de nossas crianças, que Deus tem um relacionamento saudável pra elas no futuro, com um bom parceiro heterossexual e bons filhos, mas que o foco agora não é fazer sexo, e nem ficar namorando, mas descobrir mais sobre Deus e deixar que Deus os use. Mas o Estado pode encher nossas crianças, inclusive nossos filhos cristãos, de todo o lixo que é a educação sexual precoce, instigando-as a prática do sexo quando ainda não estão amadurecidas para tal, e ainda obrigando-as a aceitarem homossexualismo como algo correto. Me desculpem, mas eu não posso aceitar isso. Eu acho totalmente válido respeitar as opiniões e atitudes de quem quer que seja, pois cada um é livre pra viver como quer. Quero ensinar meus filhos a respeitar quem quer que seja, e inclusive dizer a ele que ele poderá fazer suas escolhas de como quer viver. Mas ninguém vai me impedir de declarar que a prática homossexual é pecado, que qualquer um que tenha tendência a essa prática precisa resistir a esses maus desejos se desejar ser um cristão e fazer a vontade de Deus, e dizer que Deus liberta disso quem desejar ser liberto.
Concluo dizendo que defendo o Estado Teocrático Cristão como melhor possível, pois acredito piamente que a solução para uma nação está em Cristo. Mas sei que com a quantidade de não cristãos que temos, um Estado realmente Laico seria justo. Mas sou totalmente contra o Estado Laico que ouve apenas não cristãos e persegue os cristãos com suas leis e práticas. Nosso estado hoje está muito longe de ser Laico. Pensem nisso quando forem defendê-lo.