segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Crescendo

Quando eu era pequeno, as coisas eram tão fáceis. Parecia que qualquer coisa me alegrava. O que me chateava, eu esquecia em alguns minutos. Eu achava que tudo era possível, que tudo iria dar certo e que eu podia ser o que eu quisesse. Eu só enxergava a parte boa da vida, e era tão inocente...

Então fui crescendo e chegou a adolescência. Vi que nem tudo era sorvete e chocolate. Conheci a força do braço. Me achava o centro do universo. Era egoísta ao ponto de bater o pé e acreditar que tudo tinha de ser do meu jeito. Ai de quem não me compreendesse ou me contrariasse. Ainda tinha aquela boa sensação de poder tudo, mas ela também era responsável pelos momentos mais deprê da minha vida, quando a realidade me mostrava que eu não podia tudo.
Hoje já sou jovem, mais maduro, no começo de minha vida adulta. Acho ridícula minha antiga postura adolescente e hoje a critico. Tenho o pé mais no chão, e sou mais equilibrado. Tenho princípios e ideais mais definidos, e luto por eles. Não com o mesmo vigor da adolescência, mas com melhores argumentos e uma base mais sólida. Nunca estive tão cético quanto à realidade ao meu redor. Ao mesmo tempo, minhas emoções estão mais estáveis.
Daqui um tempo estarei velho. Olharei pra trás e sentirei saudades de minha fé de criança. Irei desejar ter aproveitado mais minha adolescência, embora fazendo isso com mais sabedoria. Me orgulharei de meu empenho em defender meus princípios na juventude, mas desejarei não ter tido travado tantas batalhas, mas apenas as necessárias. Compreenderei que é tudo vaidade e que algumas coisas não irão mudar. Aconselharei os mais novos a ficar um pouco mais na deles, mesmo sabendo que eles não farão isso. Acho que criticarei cada vez mais, resistirei tudo que for muito novo e apelarei para todos serem conservadores.
Se você leu este texto até aqui pensando em sua vida natural, quero pedir que antes de passar ao próximo parágrafo, volte ao início, mas pensando em sua fé. Pense em cada momento de sua vida desde que conheceu e aceitou a Cristo. Pense no que você acredita, e tente identificar em que período da vida você está. Pode ir lá, eu espero. Quando terminar, continue lendo o próximo parágrafo.

Não estou falando aqui da nossa vida natural, e da nossa vida em tempo cronológico. Não se trata de idade. Se trata de maturidade na fé. Se você ainda é criança, curta muito, mas não se iluda demais. Se é adolescente, aproveite sua força, mas saiba que precisará amadurecer ou continuará medíocre. Se é jovem, lute, mas não seja duro demais com os outros. Se já está velho, aproveite sua sabedoria, mas não reprima os mais novos.
Já dizia o sábio que para tudo há um tempo determinado abaixo do sol. Viva seu tempo, e seja intenso naquilo que acredita. Só não se esqueça que há pessoas vivendo em outros tempos que você já viveu ou que vai viver. Tenha paz com todos.