terça-feira, 26 de setembro de 2006

As Crônicas de Narnia

O que acharam sobre o filme as Crônicas de Narnia? Um filme lindo, sobre nosso Salvador, ou um engano em que muitos irmãos acreditam? Eu assisti o filme e gostei. É uma alegoria e não deve ser levada ao pé da letra. Mas sou a favor de ponderarmos acerca de várias opiniões e absorver o que é bom. Abaixo, um estudo no qual o autor é conta o filme. Acho que vale a leitura, não para bitolar, mas sim pra analisar e absorver o que é bom. Boa leitura!
Fonte: www.jehozadakpereira.com
Autor do estudo: Jehozadak Pereira (Podem ver que o autor não sou eu, não discutam comigo nos comentários)

Como preâmbulo deste artigo que escrevi tempos atrás, acrescento algumas considerações.

1. Ao filmar as Crônicas de Nárnia, a Disney quis agradar aos evangélicos?
Não, a Disney não quer agradar nenhum segmento religioso filmando As Crônicas de Nárnia. O interesse da Disney é meramente comercial.

2. As Crônicas de Nárnia é uma história cristã?
Não. Não é. Compare a trama com a Bíblia e jamais vai se encontrar por menor que seja qualquer coisa que se pareça com o cristianismo. Compare a trama com qualquer dicionário ou enciclopédia esotérica ou mística e vai ser possível encontrar muitas e muitas coisas relacionadas com o esoterismo, o misticismo, feitiçaria e bruxaria.

3. C. S. Lewis não foi um escritor cristão?
Sim, após a sua conversão ele escreveu muita coisa boa, mas nunca renegou esta história esotérica, por mais que o defendam os seus devotos.
O irlandês Clive Staples Lewis, escreveu mais de 40 livros, e estima-se que da sua obra foram vendidos mais de 200 milhões de cópias, traduzidos em mais de 30 línguas. Entre as suas obras estão: “Regresso do Peregrino”, “O Problema do Sofrimento”, “Milagres”, “Cartas do Inferno”, uma trilogia de ficção científico-religiosa “Longe do Planeta Silencioso”, “Perelandra”, “That Hideous Strength”. Para crianças escreveu a série de fábulas “Crônicas de Nárnia” e nelas “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”.
Considerado conto-de-fada cristão. E é exatamente deste livro que quero tratar neste artigo. C. S. Lewis é considerado por muitos como o maior escritor cristão que o mundo já teve. Lewis é citado por pregadores, recomendado por homens influentes, estudado nas faculdades, nos seminários e nos institutos bíblicos. É comum ouvir em certos púlpitos mensagens onde Lewis é mais citado do que Jesus Cristo, e seus livros de referencial em lugar da Bíblia. Há uma verdadeira febre e devoção a Lewis, muitos o incensam como o modelo ideal de escritor. Ateu desde a sua infância converteu-se ao cristianismo em 1929, na Igreja Anglicana, e é tido como o porta-voz não oficial do cristianismo, como se o cristianismo precisasse de um porta-voz, oficioso ou oficial a despeito de que o nominado seja C. S. Lewis.
Talvez Lewis tenha sido levado a este panteão por seus fiéis seguidores, que ignoram tantos outros nomes de relevância na pregação e divulgação do Evangelho ao longo dos séculos.
Será que podemos considerar este “laurel” como uma prova de fanatismo, semelhante aos seguidores e admiradores de Freud e Jung? Lembro aos meus leitores de que os seguidores de Jung o têm como um deus, e o consideram como o profeta escolhido dos deuses para dar-lhes o caminho da redenção. Que estes últimos tenham suas preferências vá lá, mas crentes o fazendo é no mínimo muito estranho.
Tempos atrás eu conversava com um amigo a respeito de Lewis e Tolkien, e ele me disse uma coisa que me fez pensar bastante. Desde quando o mundo secular elogia e respeita o que é nosso - ou melhor, o que se diz cristão, especialmente na área da literatura? Não é estranho que o mundo elogie um dos “nossos”? Não estou discutindo a fé de Lewis, e nem as outras obras dele, estou expondo os problemas que existem em O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa.
A trama é repleta de simbolismos, e ouso dizer que é uma história com fundo esotérico. Certamente esta afirmação vai provocar o espanto de muitos. Mas o que você diria duma história onde há faunos, um guarda-roupa que é um portal, ninfas, anões, dríades, Lilith - a tradição cabalística diz que Lilith, seria o nome da primeira mulher criada antes de Eva, não da sua costela, mas diretamente da terra, tal como Adão. - Somos todos os dois iguais, teria dito Adão; e após uma discussão, Lilith encolerizada, pronunciou o nome de Deus, e fugiu para iniciar a sua carreira demoníaca, ou que ainda Caim e Abel brigaram por causa de Lilith.
Alimento enfeitiçado, sátiros, centauro, minotauro, cavalo alado, náiades, unicórnio, um leão que morre e ressuscita, ogres, duendes, vampiros, espíritos que moram nas árvores, fantasmas, lobisomens, íncubo - demônio masculino que, segundo velha crença popular, vem pela noite copular com uma mulher, perturbando-lhe o sono e causando-lhe pesadelos - mortos que ressurgem para a vida, e finalmente uma feiticeira.
Mas não uma feiticeira qualquer. É uma feiticeira branca. Não se trata de ver o mal. A perversidade das trevas no escrito de Lewis, somente porque há a feiticeira, seja ela de qual cor for. O comprometimento é muito maior do que se pensa, além do que a Bíblia nos diz o que acontecerá com os feiticeiros, repito - seja lá de qual cor forem. A feiticeira é o menor dos problemas...
Ao que parece, aqui quer se “santificar” a feiticeira branca, somente porque foi Lewis quem a colocou na história, e para muitos isto basta, afinal foi um homem “santo” quem o disse. Mas voltando aos comprometimentos do livro, este exército de demônios luta ao lado do bem - de Aslam, o leão que é morto e ressuscitado, contra o mal - a feiticeira.
A trama toda começa quando Lúcia entra no guarda-roupa mágico e quando se dá conta que está num país, onde é inverno o tempo todo. Dentro deste país - Nárnia, Lúcia conhece o Sr. Tumnus - um fauno - divindade campestre caprípede, cornuda e cabeluda - conforme a descrição do livro da cintura para cima parecia um homem, com pernas de bode, com pêlos pretos e acetinados, com cascos de bode no lugar dos pés e uma cauda.
Mas eu quero deter-me nas palavras da Professora Gabriele Greggersen que dizem literalmente o seguinte no seu artigo Um encontro e tanto, extraído do endereço clique aqui - : “Como autora de uma dissertação a respeito de O Leão, a feiticeira e o guarda-roupa, a primeira obra escrita da famosa série de contos-de-fada com fundo cristão - as Crônicas de Nárnia...”. Como pode ser cristão, um texto repleto de seres fantásticos? De seres advindos das trevas que lutam ao lado do “bem”? Vejamos o que são os tais contos-de-fada na definição de quem entende e sabe o que significa.
Nise da Silveira no seu livro Jung Vida e Obra escreveu o seguinte: “Jung diz que os contos de fadas têm as suas origens nas camadas mais profundas do subconsciente, comuns à psique de todos os seres humanos. Os homens sempre gostaram de histórias maravilhosas. Assim como as crianças. Afirma ainda que é salutar para os homens ouvirem a narração dos contos de fadas, e a narração de velhos mitos. Jung prossegue dizendo que tanto os mitos quantos os contos de fadas são a mais perfeita expressão dos processos subconscientes. O homem pressentirá obscuramente que ali se espelham acontecimentos em desdobramento no seu próprio e mais profundo íntimo. Afirma que não se trata de acreditar nos feitos heróicos e nos encantamentos que as histórias descrevem, e que as verdades não são objetivas e sim verdades subjetivas, que são narradas na linguagem dos símbolos. Jung, porém tem consciência e admite que tanto as histórias quanto os mitos não passarão pelo crivo das exigências racionais. Finaliza afirmando que são essas ressonâncias que fazem no conceito dele o eterno fascínio dos contos de fadas”. O professor e escritor Bruno Bettelheim define assim os contos-de-fada. “Os contos de fada, considerados por pais e educadores até pouco tempo como ‘irreais, falsos’ e cheios de crueldade, são para as crianças, o que há de mais real, algo que lhes fala, em linguagem acessível, do que é real dentro delas. Os pais temem que os contos de fadas afastem as crianças da realidade, através de mágicas e fantasias. Porém, o real, a quem os adultos comumente se referem, é o externo, é o mundo circundante, enquanto que o conto de fadas fala de um mundo bem mais real para as crianças. Durante muito tempo, os contos de fadas jazeram esquecidos, desprezados e banidos sob alegação de irreais e selvagens, em vista de suas tramas sempre altamente dramáticas. Depois que a psicologia desmistificou a inocência e a simplicidade do mundo das crianças, os contos de fadas voltaram a ser lidos e discutidos, justamente por descreverem um mundo pleno de experiências, de amor, mas também de destruição, de selvageria e de ambivalências. A psicanálise provou que os pais temem que seus filhos os identifiquem com bruxas e monstros, ogres e madrastas e com conseqüência os deixe de amar. Porém ao contrário, podendo vivenciar tudo, identificando-se e os pais com os personagens dos contos, os filhos têm sua agressividade diminuída, podendo amar os pais de maneira mais sadia. O conto assim contribui para um melhor relacionamento familiar. Entretanto, a maior contribuição dos contos de fadas é em termos emocionais, propondo-se e realizando concretamente quatro tarefas: fantasia, escape, recuperação e consolo. Desenvolvem a capacidade de fantasia infantil: fornecem escapes necessários falando aos medos internos da criança, às suas ansiedades e ódios, seja como vencer a rejeição (como em João e Maria) ou os conflito edípicos com a mãe (como em Branca de Neve) ou a rivalidade com os irmãos (como em Cinderela) ou sentimento de inferioridade (como em As Três Plumas). Os contos aliviam as pressões exercidas por esses problemas; favorecem a recuperação, incutindo coragem na criança, mostrando-lhe que sempre é possível encontrar saídas.
Finalmente os contos consolam e muito: o final feliz, que tanto adultos consideram irreal e falso é a grande contribuição que os contos favorecem as crianças, encorajando-as à luta por valores amadurecidos e a uma crença positiva da vida”. A mim me parece deslealdade, afirmar que o fabulário mundial está repleto de seres e entidades demoníacos, e ao mesmo tempo dizer que não há problemas em se aceitar isto como regra de fé e prática, pois afinal tudo é “fantasia”
 Mas quem precisa de fantasia? Já ouvi algumas vezes, que Aslam, é o protótipo de Jesus Cristo, pois ele morre e ressuscita, para resgatar a vida de muitos. Ouvi inclusive relatos emocionados acerca disto. Outro fato que emociona a muitos é quando Aslam convoca a todos para derrotar o mal - ou a feiticeira. E desde quando o bem personificado em Jesus Cristo precisa da companhia de ratos e um leão fedorento para vencer o mal.
Mas como o mal pode vencer o mal? Centauros, unicórnios, cavalos, gigantes, anões, bichos menores, faunos, leões, cães, compunham o exército de Aslam, na sua luta contra o mal. Não preciso dizer que muitos destes são demônios literais. E vejam que não sou eu quem o digo. E muito menos fui eu quem os colocou ao lado de Aslam. Qualquer dicionário de esoterismo pode dizer o que é um centauro ou mesmo um unicórnio, ou esclarecer ainda o que é um fauno ou um sátiro. Outro dia recebi um e-mail falando que a Bíblia cita em Isaías 34.14, a palavra sátiro. Queriam me mostrar e convencer de que o simples fato de a Bíblia citar é o suficiente para corroborar e confirmar o uso do termo por Lewis.
Que queiram acreditar e mais ainda, crer que o livro O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, é um “poderoso” instrumento de evangelização e uma “alegoria” do Evangelho, que creiam, mas desde quando o Evangelho precisa de “alegoria”? Desde quando um livro repleto de citações de demônios pode ser uma “alegoria” do Evangelho? Se isto - demônios for “um poderoso” aliado do Evangelho o que vamos fazer com Hebreus 4:12? Que Palavra VIVA é esta que precisa do suporte de demônios para ser pregada? Que Palavra EFICAZ é esta que precisa de “alegoria” para ser aceita?
Que Palavra CORTANTE é esta que necessita de apoio na mitologia e no misticismo? As semelhanças de Aslam com Jesus Cristo são muitas. Uma delas é chocante. Quando Aslam morre a Mesa de Pedra se rompe e parte em dois pedaços; “Mas, se fosse um pouco mais longe, de penetrar na escuridão e no silêncio que reinam antes da aurora do tempo, teria aprendido outro sortilégio. Saberia que, se uma vitima voluntária, inocente de traição, fosse executada no lugar de um traidor, a mesa estalaria e a própria morte começaria a andar para trás... E agora...” Qual foi o inocente que fez romper o véu? Que traído e inocente foi sacrificado para vencer o mal? Certamente muitos me contestarão, mas com certeza não responderão ou não terão argumentos para dizer que em O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, não há misticismo e criaturas fantásticas. Certa vez eu escrevi um artigo repercutindo uma matéria publicada na Revista Veja, que citava Lewis e Tolkien, como autores de literatura semelhante à de J. K. Rowling, a nefanda autora de Harry Potter. Foi o suficiente para que recebesse uma enxurrada de e-mails desaforados defendendo Lewis. Com certeza desta vez emitirão uma fatwa contra mim. Mas não me importo. O que me importa é a verdade é dizer em alto e bom som que em O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, há contaminação espiritual, a começar do guarda-roupa que é um portal esotérico e a findar em Aslam, em nome de quem se deseja que as aventuras continuem. Perigosas aventuras...